reflexão

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Como nas grandes histórias

Se preferir, ouça a narração adaptada deste texto. Ela possui algumas modificações.

Olá, olá! Tudo bem por aí? Espero de verdade que sim! São tempos complicados e o momento atual tem tirado muita gente do rumo.

É provável que não nos conheçamos pessoalmente, talvez conversemos nas redes sociais ou tenha chegado aqui por causa do meu trabalho, mas serei bastante sincero com você.

Para quem atua nos mercados do desenho e da edição de livros, o último ano não foi fácil. No meu caso, também passei por alguns problemas pessoais, que acabaram dificultando ainda mais as coisas.

Ainda assim, 2019 passou e, hoje, parece que ele não foi tão ruim.

Uma triste surpresa

Com certeza ninguém imaginou que 2020 chegaria com a pandemia mais grave que experimentamos em mais de um século. É desnecessário dar detalhes sobre a Covid-19 e seu impacto em todo o mundo, provocando a morte de dezenas de milhares de pessoas e, principalmente, desestabilizando toda a vida que construímos com tanto esforço.

Os danos colaterais provocados pelo vírus e pelas ações necessárias para contê-lo são intensos e numerosos: profissionais, financeiros, sociais, políticos, familiares, físicos, psicológicos, emocionais… Cada um de nós está sendo afetado de um modo diferente, mas é impossível escapar ileso.

Os danos colaterais […] são intensos e numerosos: profissionais, financeiros, sociais, políticos, familiares, físicos, psicológicos, emocionais…

Sempre fui, provavelmente como você, um grande fã de histórias épicas e grandiosas, com desafios árduos e inimigos ameaçadores, em que um final feliz parece quase impossível. Acho que, agora, estamos vivendo a nossa própria grande aventura e gostaria de relembrar algo importante antes de escrevermos nosso final.

Por mais desoladores que sejam os problemas que enfrentamos, sempre existe a chance de que as coisas fiquem melhores. Quase nunca é amanha, muitas vezes leva tempo e o desafio fica ainda mais complicado, mas esse dia chega. No fim, o modo de superar a Covid-19 e suas consequências é o mesmo que temos usado sempre e sem perceber, como nos relembra Rocky Balboa: persistir.

“Você, eu, ninguém vai bater tão forte como a vida, mas não se trata de bater forte. Se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer.”

— Rocky Balboa

Nos contos, nos filmes e na vida

Desde crianças, seja nos livros que nos maravilhavam ou nos filmes que tomavam conta de nossas cabeças, todos os heróis que admiramos sempre tem uma característica em comum: eles persistem. E a verdade é que isso é o que mais nos aproxima deles. Nós também persistimos, talvez não de jeitos maravilhosos e memoráveis, mas esse é o nosso super-poder: vencer os desafios de cada dia e seguir em frente.

… os heróis que admiramos sempre tem uma característica em comum: eles persistem. E a verdade é que isso é o que mais nos aproxima deles.

O coronavírus, a pandemia e o isolamento vão passar, por isso nossa preocupação deve ser com o modo como isso ficará registrado em nossa história. O maior inimigo de qualquer autor não é quem divide a pena com ele, mas a folha que ainda está em branco.

Acho que é hora de deixarmos nossas preferências e diferenças de lado para escrevermos a melhor história que pudermos para todos. Minha sugestão é que seja um capítulo de união, aprendizado, amadurecimento e harmonia, em homenagem a quem não já está aqui para escrever conosco e a todos que nos protegem na linha de frente dessa batalha. Assim, fazemos por merecer a honra de dar continuidade a essa jornada.

É como nas grandes histórias

Espero que essa mensagem tenha ficado clara. Deixo o discurso de Sam, no final de O senhor dos anéis – As duas torres para reforçá-la. Fique firme, estamos juntos: ninguém precisa escrever esse roteiro sozinho.

“É como nas grandes histórias, senhor Frodo. Aquelas que realmente importaram. Elas estavam cheias de escuridão e perigo e às vezes você não queria saber o final. Porque, como o final poderia ser feliz? Como o mundo poderia voltar ao que era quando tantas coisas ruins aconteceram? Mas no fim, essa sombra é passageira. Até a escuridão vai passar. Um novo dia virá, e quando o sol brilhar, brilhará mais claro. Essas foram as histórias que ficaram com você. Isso significava algo, mesmo que você fosse pequeno demais para entender o porquê. Mas eu acho, Sr. Frodo, eu entendo. Eu sei agora. As pessoas dessas histórias tinham muitas chances de voltar atrás, só que não voltavam. Elas continuavam.”

— Sam Gamgee

Escute o áudio adaptado do texto